Alguém disse certa vez (acho que foi Mário Quintana), que amigos é a família que nos deixaram escolher. Então posso afirmar que fiz boas escolhas, tenho amigos que são mais que amigos, são minha família. Somos unidos por laços mais poderosos que o sangue, laços esses construídos fio a fio e por isso mesmo cheio de marcas. Às vezes me pego rindo sozinha por uma lembrança ou outra, e às vezes uma lágrima furtiva cai ali, teimosa como ela só, desobediente. É na saudade que valorizamos os momentos que o cotidiano banaliza, é na memória que vivenciamos cada cena, cada ato, cada fala, que valorizamos cada sorriso, cada conversa. Cada pessoa que passa em nossa vida leva um pouco de nós e deixa um pouco de si. Hoje sou um mosaico. Um catálogo de referências. E percebo nessa minha imensidão de saudades, nesse meu impreenchível vazio, que meu coração é muito maior do jamais ousara imaginar. E que não sou tão forte quanto minha pretensão me dizia ser.
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