segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Memórias

Pedaços de papel
Memórias de um passado
Poeiras de um tempo
Em que o sorriso era espontâneo

Cartas antigas
Saudades sentidas
Lembranças vertidas
Feito carrossel

Letras conhecidas
Bilhetes relidos
Ah! Se o corpo físico
Pudesse...
Acompanhar o espiritual
Não estaria aqui
Estaria aí.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

No ônibus lotado

Pessoas passam no ônibus lotado
E olham pela janela
A vida que passa
Mas que não sai do lugar
A dinâmica de tudo
É estática sempre
O movimento da vida
Acontece na mente
E engana os olhos
Daqueles que passam
Em ônibus lotado
Olhando a vida
Por apenas um lado.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Um Ideal

A procura vã por conhecimento
Em passos curtos, lentos e pesados
Recai em um místico esquecimento
De sonhos, talvez, jamais realizados.

A corrida ávida sempre esquecida
O prêmio no canto, sujo e empoeirado,
Velho ideal em sua alma envelhecida
Sentimentos de um pobre desgraçado.

A incansável luta por um ideal
Transforma o olhar sobre o resto do mundo
Em algo terrivelmente tão banal

Banalidades que quando esquecidas
Tornam-se em cada íntimo profundo
Razão para permanecer em vida.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Poesia

Baluarte da vida
Estandarte de muitos
Poesia é sempre
Sentimentos dementes
Sofrimentos tementes
de poesia se vive
se ama, se conclama
aos quatros ventos
no céu que ferve
por dentro das almas
em livramento
de insônias fechadas
a poesia se curte
se nutre, se come
respira e expira
transpira momentos
revive suspiros
ilustra gemidos
poesia se canta
se ama, deseja
anseia, por loucuras,
imundas, fecundas
na lama que mergulhamos
na cama que emergimos
poesia se cospe,
se fode, se goza,
se cobra, se transforma
em céu, inferno,
plenitude, abismo,
pureza, pecado.
Poesia é tudo.
Poesia é nada.
Poesia é a nossa
Vida safada.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Diluídos em amor

Foi assim que vi você:
Calmo, sereno, amável...
E o meu peito ficou repleto
De um sentimento incalculável
Rosto, olhos, boca, língua
Perfeita combinação.
Caíste em meus sonhos
Como uma linda ilusão
Hoje quando olho pra você
E vejo que és meu
Toco em teu rosto
Mergulho em teus olhos
Beijo tua boca
Sinto o sabor da tua língua
Me delicio com cada um
De seus pedacinhos
Marco teu corpo
Com meus beijos
Queimo tua pele
Com meu calor
Nossos corpos como um
Nossos sonhos apenas um
Nos diluirmos em amor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A meus amigos...

Alguém disse certa vez (acho que foi Mário Quintana), que amigos é a família que nos deixaram escolher. Então posso afirmar que fiz boas escolhas, tenho amigos que são mais que amigos, são minha família. Somos unidos por laços mais poderosos que o sangue, laços esses construídos fio a fio e por isso mesmo cheio de marcas. Às vezes me pego rindo sozinha por uma lembrança ou outra, e às vezes uma lágrima furtiva cai ali, teimosa como ela só, desobediente. É na saudade que valorizamos os momentos que o cotidiano banaliza, é na memória que vivenciamos cada cena, cada ato, cada fala, que valorizamos cada sorriso, cada conversa. Cada pessoa que passa em nossa vida leva um pouco de nós e deixa um pouco de si. Hoje sou um mosaico. Um catálogo de referências. E percebo nessa minha imensidão de saudades, nesse meu impreenchível vazio, que meu coração é muito maior do jamais ousara imaginar. E que não sou tão forte quanto minha pretensão me dizia ser.

sábado, 13 de setembro de 2008

O FIM

No frio da noite
Tocam os sinos da consciência
E o reino das imaginações
Toma proporções gigantescas
As perguntas que te fiz
As repostas que não tive
Ilusões...
Senti a ausência em teus olhos
Percebi a distância em teu toque
E teus lábios já não eram doces.
Um estranho me envolveu num abraço...
Decepções...
Já não era amor o que sentias
Já não eram minhas palavras que ouvias
Já não era em meu colo que descansavas
Já não era a minha respiração
Que embaçava teus óculos...
Libertações...
No frio da noite, a ausência...
No frio da noite, a sentença...
No frio da noite, o delírio...
No frio da noite, a consciência...